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A fé e o amor tailandês pela vida


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Meninos presos em caverna na Tailândia. Foto: Thai Navy Seal/Reuters

Meninos presos em caverna na Tailândia. Foto: Thai Navy Seal/Reuters

Bia Fonte Nova - redacao@revistaecologico.com.br

18/07/2018

 

Imagino que você, caro leitor, tenha recebido ou pelo menos ouvido algum comentário sobre um texto que ganhou grande repercussão nos grupos de Whats App nos últimos dias.

Num relato envolvente, inspirador e emocionante, a consultora e treinadora em Alinhamento Empresarial e Pessoal, Rosy França, faz uma correlação entre a experiência dos meninos que ficaram presos em uma caverna na Tailândia – drama que comoveu o mundo –, e a nossa luta para superar e aceitar os desafios diários que a vida nos impõe.

Reconfortante, o texto de Rosy vai além da fé e das crenças individuais. É um bálsamo de ânimo e de confiança. Enche o nosso coração de esperança e nos inspira a confiar na sabedoria maior, que rege nossas vidas e o universo.

Confira, a seguir, o texto completo e a entrevista que ela concedeu, com exclusividade, à ECOLÓGICO:

 

“Hoje, a pergunta que não quer calar é essa: em que “caverna" você está presa (o)? Qual a sua perspectiva de sair da caverna?
As crianças da Tailândia nos dão uma verdadeira lição de vida. Não importa quão escura, úmida, inundada e estreita esteja a caverna, quando a nossa mente e coração estão alinhados com um só propósito: o de sair da caverna.

A mente tranquila, aquecida pela a gratidão de estar vivo, transborda de amor e permite o coração bombear o sangue normalmente, cumprindo assim as funções necessárias para manter o corpo saudável, enquanto o socorro vem.

E de onde me virará o socorro? “O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra”. Daquele que conhece o segredo da montanha. Do arquiteto que fez a planta, esse sabe todas as saídas.

Porém, precisamos confiar naquele que sabe o caminho. Os meninos pareciam saber que o importante era manter a paz em meio ao caos. A aparência tranquila deles me deixava acreditar cada vez mais no milagre existente dentro de nós.

O autoconhecimento de si mesmo. Perceba que a Tailândia tem como princípio o amor pela vida. A vida é mais importante do que qualquer outra coisa. Então, era perceptível que aqueles meninos, com um rostinho sereno e tranquilos, me ensinavam a orar por eles.

Certamente, as pessoas fora da caverna estavam mais aflitas do que eles. Eles sabiam, apesar da pouca idade, dos perigos existentes. Mas a paz que brota da incerteza é mais forte do que a ameaça mais poderosa do mundo.

Hoje, estou em paz. Hoje, eu descobri que o arquiteto do universo sabe o caminho para me tirar da caverna. E a minha sugestão é manter a calma diante de todos os desafios diários. As mães pareciam confiar mais do que os meninos, não ouvi falar em mãe desmaiando e gritando blasfêmia.

Uma cena me veio à mente: Maria, mãe de Jesus, de pé junto da cruz.

São tantas lições, tantas outras percepções sobre o assunto em questão.

Hoje quero ficar com uma grande verdade. “Aqueles que não duvidam, no coração e na mente, podem sim transportar montanhas de lugar”.

(*) Consultora e treinadora em Alinhamento Empresarial e Pessoal. Texto publicado em 9 de julho.

 

Saiba mais:

www.instagram.com/rosyfranca1/

 

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Entrevista

Rosy França, consultora
e treinadora em Alinhamento Empresarial e Pessoal

 

“É preciso confiar”

 

Qual tem sido o retorno diante da grande repercussão que sua postagem alcançou? Como está se sentindo?

Estou me sentindo muito bem. Até porque, quando estamos alinhados pelo desejo de vitória, falamos o que o nosso coração pede. Um sentimento me impulsionou a escrever sobre o que estava vendo e sentindo com relação aos acontecimentos na Tailândia. Eu me sentia incomodada com as notícias, que falavam só das dificuldades ou do que poderia acontecer. Não eram congruentes com o que os meninos estavam me revelando. Precisava escrever o que de fato estava sendo para mim aquela experiência de vida.

 

E o que você sentia?

Dentro de mim havia a certeza de que tudo estaria bem. E a minha oração era de acordo com o que aquelas crianças me revelavam através dos seus comportamentos, ou seja, elas estavam tranquilas. Esse ‘fenômeno’ acontece conosco todas as vezes em que sentimos que tudo vai dar certo. Quanto ao retorno das pessoas à minha postagem, entendo como uma lição de vida. Deixe o seu coração falar, que todos vão escutar de acordo com as suas percepções, necessidades e sentimentos. Tudo tem a sua história. Quem nunca esteve em uma caverna escura, no interior da montanha? Todos precisamos, todos os dias, remover montanhas de lugar.

 

Você se refere às escolhas que fazemos?

Sim. São as nossas escolhas, as nossas decisões que fazem a diferença. E, para mim, os meninos haviam claramente escolhido a vida. Todos que leram o texto e sentiram a autoria dele como sua, certamente, a exemplo dos meninos, buscaram a sua fé para sair da caverna. E para deixar a caverna é preciso confiar antes de tudo em si mesmo. Nem mesmo Deus pode fazer coisas que somente nós podemos fazer. Não se trata do tamanho do poder de Deus: este é inquestionável. Trata-se da responsabilidade desse poder dado a cada um de nós. A responsabilidade de acreditar que podemos ou não transportar montanhas de lugar é nossa, exclusivamente nossa. Ou seja, as crianças confiaram em si mesmas. É claro que o técnico teve papel muito especial na vida deles, foi missão dele fazer com que cada um acreditasse em si. Quem acredita em si mesmo tem fé. Nós somos imagem e semelhança de Deus, e esse é o milagre realizado por Deus em nós.

 

A fé que você descreve em seu texto sempre fez parte de sua vida ou brotou agora, diante do ocorrido com os meninos da Tailândia?

A fé sempre esteve presente na minha vida. Digamos que já precisei remover muitas montanhas de lugar. E a fé sempre me direcionou para os resultados de minhas batalhas. Um homem de fé é capaz de imaginar o caminho por onde deseja caminhar. A fé silencia e cala as vozes interiores do pessimismo; alavanca a inteligência luminosa da persistência que te mostra o caminho certo. A fé está presente na minha vida desde criança. É como o alimento necessário para me manter saudável. Há quem chame fé de teimosia. Para mim, os meninos transmitiram claramente a certeza que tudo ficaria bem. E como me ensinou Jesus: “Feliz aquele que acredita sem ver”. Fé é a certeza de que nada pode impedir o desejo do coração. Os meninos da Tailândia só comprovaram como é importante ter fé, e agradecer antecipadamente.

 

Eles ajudaram a aumentar a sua fé?

E como! A fé que brota dentro de nós provém do alinhamento da crença em nós mesmos. Corpo, mente e espírito: um só sistema voltado para a conquista de um objetivo. Aquelas crianças transmitiram essa fé para mim. A fé que move montanhas de lugar. A fé que a caverna me revelou é uma fé inabalável, inegociável. Fé é um dom dado por Deus para o benefício do homem na terra. Quem quer provar a fé mergulha no vazio sem fim. Fé não se prova, se experimenta. Fé é ação, atitude. É Deus em nós.

 

E na relação do homem com a preservação do planeta: é otimista? Acredita que seremos capazes de “transpor” a montanha que atravanca a conservação ambiental e também ameaça a nossa existência aqui na Terra?

Ainda estamos longe de manter uma relação saudável e de respeito com o nosso planeta. Preservação requer responsabilidades, e responsabilidade é compromisso assumido no momento presente, ou seja, no agora. Precisamos tomar consciência do mal que causamos ao planeta. Sou otimista: acredito nos homens. Tudo depende de como vamos encarar as mudanças de comportamentos em relação ao meio ambiente.

 

É preciso, então, ter muita fé e coragem para defender o nosso planeta?

Acredito que o chamado para cuidar do planeta precisa ser instruído já no seio materno. A educação para cuidar das futuras gerações precisa começar na barriga da mãe. Quanto às montanhas que precisamos transpor de lugar para, então, manter a preservação do nosso planeta, isso depende de nós e do nosso compromisso com as futuras gerações. Cada pai, cada mãe é responsável pelo que seu filho vai entender sobre preservação ambiental. A maior montanha a ser transportada é a de educar e conscientizar o nosso povo sobre o que é importante. Precisamos envolver mais gente nessa história. A pergunta é: “Nós queremos de fato transportar montanhas de lugar ou acreditar que outros poder fazer isso por nós?” Enquanto o ser humano não acreditar que tudo – simplesmente tudo – é responsabilidade dele, montanhas ficarão em nosso caminho. Esse é o meu sentimento!


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